Era o fim da primeira semana, lá pelo quinto dia em que eu estava em São Thomé. Véu de noiva era o nome daquela cachoeira. Tinha uma pedra alta donde se podia pular no poço da queda d'agua. Capaz que eu não subi lá em cima e pulei, né? Deu um minuto eu estava lá em cima me jogando. Ah se a minha me mãe pega pulando lá de cima... O Márcio nos mostrou uma caverna, que reza a lenda, por ela você anda pelo interior da terra e sai em Machu Pichu no Peru. Claro que eu não entrei e percorri o caminho pra saber se é verdade, mas em Machu Pichu no Peru tem uma lenda de uma caverna lá que diz que se entrar nela, vai sair em São Thomé das Letras no Brasil. Eu e a Taís perguntamos sobre os cogumelos ao Márcio. Para o nosso espanto ele disse que tinha muitos, mas ele era contra. Eu e a Taís nos olhamos rapidamente. "Até tomo, sem problemas, mas sou contra". Esses "hippies"!
O sol, o vento e as nuvens se combinavam de representar um lindo balé que parecia dar movimento aquele mar verde de terra, montes e montanhas. O Márcio me mostrou uma poesia dele e de outro "hippie" que falava a respeito de São Thomé chamada Ciranda das Letras. Me comprometi de musicá-la. Ainda gravarei a tal canção que já existe. O dia se despedia sempre naquele imenso véu rosado. Trazendo aquele turbilhão de estrelas e, em nenhum momento se cansava de parar e ficar olhando, ou pro céu a noite, ou pra terra durante o dia.
Não tinha muito como conseguir trabalho em São Thomé, então se aceitava fazer qualquer coisa, até trabalhar num restaurante de comida caseira por um valor quase irrisório. Fiz isso. Era quinta feira, o carnaval começaria na sexta, a Taís tinha ido pra São Paulo, jurou que voltava, fiz força pra acreditar e quase não consegui. Com Taís ou sem Taís, eu tinha que descolar um dinheiro. Peguei um resto de dinheiro e vontade e fui pela manhã seguinte pra Três Corações. Talvez descolava um serviço por lá que me possibilitaria ter algum pra quando a Taís voltasse. Peguei uma carona na saída da cidade, e em Três Corações gastei o dinheiro que ainda restava comprando o que comer. Lá voltava eu pra São Thomé, aquele polegar erguido, sujo, cansado, com menos dinheiro ainda. Um senhor muito gente boa me deu carona, mas nessa estrada tem um ponto em que a estrada se divide e forma um outro braço mas que também vai até São Thomé, porem é mais longe, é estrada de chão e passa menos carros. Ele ia até a metade dessa rota alternativa. Me perguntou se eu preferia ir com ele e tentar outra carona lá, ou descer na rodovia que era mais movimentada.
Que canseira, ninguém passava mesmo, caminhei até São Thomé. Lua nova, na estrada eu não via nada. Nem o chão. A estrada em um ponto era cercada de vegetação e bois estavam pelo caminho, ouvia os barulhos de bichos ao meu redor, mas não tinha o que fazer além de continuar. As estrelas riam de mim e as árvores acredito que me protegiam, o ar me supria, a coragem me levava em frente. Não se tinha escolha.
O pé da montanha me encontrou suado, endorfinado, travado de superação. Tomei um banho e subi para a pirâmide. Fiquei sozinho olhando o vale. Senti saudades da Taís. Toquei algumas musicas mirando a Alfa. Dormi desesperançoso com a promessa da Taís.
"Acorda". Meus olhos abriram aos poucos e aquele símbolo que é um A dentro de um círculo, dedurou. Ela estava de volta. Que bom estar com alguém pra dividir as emoções que emanavam daquele lugar. Rodamos cada canto daquele paraíso. Muita gente chegava, o bar do dois aquela noite bombou normal. Imagina uma montanha cheia de galera alto astral, pra todo lado fogueiras acesas, alguns enrolados em cobertores, outros não ligavam para o frio, pois o LSD já produzia calor suficiente. O Márcio era o percursionista oficial, alguém chegava pra tocar uma música na viola e ele puxava o chocalho feito de latas e mandava o ritmo. Mandava embora. Todo perdido, tanto que certa vez tentei animar o baile mas não passei da terceira música. A história da cidade era cercada de lendas de muito tempo atrás, em que seus personagens eram ET's, assombrações e Raul Seixas, que ali queria implantar a tal Sociedade Alternativa e de pouco tempo atrás, que falavam das bebedeiras do Zé Ramalho e também do Frejat. Era um lugar realmente mágico e fascinante. Tinha um mago que era também cantor e cantava de forma excelente. Ficávamos por ali, no bar do Dois, maravilhados quase sempre até depois do nascer do sol. Foi o lugar que mais gostei de conhecer, de longe a aventura mais inesquecível. Nunca mais eu vi o Márcio e nem a Taís. O que sobrou foi só mesmo a lembrança e a inspiração para um música que ficou entitulada "A pedra magnífica" A letra da música segue a baixo.
O pé da montanha me encontrou suado, endorfinado, travado de superação. Tomei um banho e subi para a pirâmide. Fiquei sozinho olhando o vale. Senti saudades da Taís. Toquei algumas musicas mirando a Alfa. Dormi desesperançoso com a promessa da Taís.
"Acorda". Meus olhos abriram aos poucos e aquele símbolo que é um A dentro de um círculo, dedurou. Ela estava de volta. Que bom estar com alguém pra dividir as emoções que emanavam daquele lugar. Rodamos cada canto daquele paraíso. Muita gente chegava, o bar do dois aquela noite bombou normal. Imagina uma montanha cheia de galera alto astral, pra todo lado fogueiras acesas, alguns enrolados em cobertores, outros não ligavam para o frio, pois o LSD já produzia calor suficiente. O Márcio era o percursionista oficial, alguém chegava pra tocar uma música na viola e ele puxava o chocalho feito de latas e mandava o ritmo. Mandava embora. Todo perdido, tanto que certa vez tentei animar o baile mas não passei da terceira música. A história da cidade era cercada de lendas de muito tempo atrás, em que seus personagens eram ET's, assombrações e Raul Seixas, que ali queria implantar a tal Sociedade Alternativa e de pouco tempo atrás, que falavam das bebedeiras do Zé Ramalho e também do Frejat. Era um lugar realmente mágico e fascinante. Tinha um mago que era também cantor e cantava de forma excelente. Ficávamos por ali, no bar do Dois, maravilhados quase sempre até depois do nascer do sol. Foi o lugar que mais gostei de conhecer, de longe a aventura mais inesquecível. Nunca mais eu vi o Márcio e nem a Taís. O que sobrou foi só mesmo a lembrança e a inspiração para um música que ficou entitulada "A pedra magnífica" A letra da música segue a baixo.
A pedra magnífica
Ela quis partir e não acompanhar
Vida conjugal, arte de amar
Ouvi o céu dizer que amor nasceu
Do horizonte azul unindo solidão
Ao sentir só, ela então pediu a Deus
Se existir criar imenso céu de luz
Na sombra da triste dor de estar só
Pra esperar o amor chegar de um lugar
Onde existe um sentimento nobre
Na dureza sensível da rocha
Onde existe um sentimento nobre
Milenar, magnífica
Toma tempo pra pedir o que quiser
Peça certo pra não se arrepender
Tudo o que você quer, pode conquistar
Com coragem e força e nada o impedirá
Pensamento positivo é a chave
Sem ação nada se consegue
Sem ação nada se consegue
Milenar, magnífica
O cruzeiro do sul X - O manto estrelado
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